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Homem que escapou de execução em hotel de VG é preso por suspeita de tráfico

Um homem que escapou de uma tentativa de homicídio dentro de um hotel em Várzea Grande, em agosto deste ano, foi preso nesta quinta-feira (8), em Santos, no litoral de São Paulo, durante uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso contra um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Identificado como Hebert Felipe de Almeida Vieira, de 36 anos, o investigado estava entre os alvos da Operação Fio, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc). A ação envolve 26 ordens judiciais cumpridas em Mato Grosso e São Paulo.

A prisão ocorre quase dois meses depois de Hebert sobreviver a um atentado no Hotel Marion Pantanal, localizado no bairro Novo Mundo, em Várzea Grande. Na ocasião, homens armados invadiram o estabelecimento e dispararam diversas vezes contra ele, que conseguiu escapar sem ser atingido.

O ataque foi registrado por câmeras de segurança e ganhou repercussão pela violência da ação. As imagens mostraram criminosos perseguindo a vítima pelo interior do hotel enquanto efetuavam os disparos.

Depois do episódio, Hebert deixou a região metropolitana de Cuiabá. Seu paradeiro passou a ser desconhecido, até que as investigações policiais levaram à sua localização no litoral paulista.

A Polícia Civil ressalta que as circunstâncias do atentado e uma eventual ligação do ataque com o tráfico de drogas ainda estão sendo investigadas.

ATAQUE NO HOTEL

O atentado ocorreu em agosto, quando Hebert estava no Hotel Marion Pantanal, em Várzea Grande.

Segundo as informações reunidas na época, pelo menos quatro homens chegaram ao estabelecimento em um automóvel preto. Três deles desembarcaram armados e entraram no hotel à procura da vítima.

Ao perceber a aproximação dos criminosos, Hebert tentou fugir. Os homens efetuaram vários disparos em sua direção, atingindo estruturas do estabelecimento, mas nenhum dos tiros acertou o alvo.

A ação foi registrada pelo sistema de monitoramento do hotel. As imagens passaram a integrar a investigação sobre a tentativa de homicídio.

Após o ataque, o homem chegou a prestar depoimento à polícia. Posteriormente, deixou Mato Grosso, e familiares relataram dificuldades para obter informações sobre seu paradeiro.

O caso também passou pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD), diante da ausência de notícias sobre sua localização.

As circunstâncias que motivaram a tentativa de homicídio ainda não foram esclarecidas. Também não há confirmação de que os autores do atentado tenham ligação com o grupo investigado na Operação Fio.

PRISÃO EM SANTOS

A localização de Hebert em Santos ocorreu durante o cumprimento dos mandados judiciais expedidos a partir das investigações da Denarc.

Além do litoral sul de São Paulo, a operação alcança Cuiabá, Várzea Grande e Mirassol D’Oeste, em Mato Grosso.

Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, nove de busca e apreensão e 12 ordens de bloqueio de ativos financeiros.

As medidas foram determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias — Polo Cuiabá, com o objetivo de aprofundar a investigação sobre a estrutura do grupo e a possível circulação de recursos provenientes do tráfico.

Segundo a Polícia Civil, os investigadores reuniram indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada por alguns dos suspeitos.

A apuração também aponta a possível utilização de pessoas físicas e jurídicas para movimentar e ocultar valores relacionados às atividades criminosas.

INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA

Uma das frentes da Operação Fio é atingir o patrimônio supostamente vinculado ao esquema.

A Justiça autorizou 12 medidas de bloqueio de ativos financeiros, com limites estabelecidos individualmente para cada investigado.

Em alguns casos, os bloqueios autorizados são de aproximadamente R$ 300 mil. O maior limite individual chega a R$ 1,4 milhão.

Os valores representam os tetos definidos nas decisões judiciais e não significam, necessariamente, que essas quantias tenham sido efetivamente encontradas nas contas dos investigados.

De acordo com a Polícia Civil, as medidas buscam impedir a dissipação de recursos, preservar elementos de prova e reduzir a capacidade financeira do grupo investigado.

A operação conta com apoio de unidades policiais de Mato Grosso e do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, na região de Santos.

A investigação prossegue com a análise dos materiais apreendidos durante as buscas. Os policiais pretendem esclarecer a participação de cada suspeito, identificar outros possíveis envolvidos e verificar se existe alguma conexão entre o atentado ocorrido em Várzea Grande e as atividades criminosas investigadas.

Até o momento, a Polícia Civil não confirmou essa relação. A prisão de Hebert decorre das suspeitas apuradas na Operação Fio e não representa conclusão sobre as circunstâncias ou a autoria da tentativa de homicídio.

Por MARIA CLARA SILVA

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