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‘Cabeleireiro das estrelas’ é preso pela terceira vez em investigação sobre tráfico

O cabeleireiro Elielson Gonçalves Vieira, conhecido em Cuiabá como “cabeleireiro das estrelas”, foi preso na manhã desta quinta-feira (8), durante a Operação Fio, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso para investigar um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

A prisão ocorreu na residência do profissional, na Capital, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Esta é a terceira vez que Elielson é preso em ocorrências relacionadas a drogas. As detenções anteriores aconteceram em 2012 e setembro de 2025.

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), o cabeleireiro é suspeito de integrar um esquema de comercialização de entorpecentes na região de Cuiabá.

Informações divulgadas sobre a investigação apontam que ele receberia drogas de outro investigado, identificado como Hebert Felipe de Almeida Vieira, de 36 anos, para posterior revenda. A suspeita ainda é objeto de apuração policial.

Hebert também foi preso nesta quinta-feira, em Santos, no litoral paulista. Ele ganhou notoriedade em agosto, quando escapou de uma tentativa de homicídio dentro de um hotel no bairro Novo Mundo, em Várzea Grande.

Na ocasião, homens armados invadiram o estabelecimento e efetuaram diversos disparos em sua direção. O investigado conseguiu fugir sem ser atingido. Depois do atentado, deixou Mato Grosso e passou a ser procurado pelas autoridades.

A Polícia Civil informou que as circunstâncias do ataque e sua eventual relação com as atividades investigadas na Operação Fio ainda estão sendo apuradas.

HISTÓRICO DE PRISÕES — A prisão desta quinta-feira ocorre pouco mais de um ano depois de Elielson ter sido detido em flagrante, em 12 de setembro de 2025, durante uma investigação da Denarc.

Na ocasião, os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão no salão onde o cabeleireiro trabalhava. Posteriormente, durante diligências na residência dele, encontraram mais de 500 gramas de maconha do tipo skunk, escondidos dentro de uma geladeira.

A investigação estava relacionada à Operação Renegados 2, deflagrada em janeiro daquele ano. Segundo a Polícia Civil, as apurações identificaram contatos do profissional com um traficante e levantaram suspeitas de aquisição de entorpecentes para consumo e comercialização.

O primeiro episódio ocorreu em 2012, quando Elielson foi preso em uma ação da Polícia Federal após receber, pelos Correios, um envelope contendo 239 comprimidos de ecstasy.

Conforme o histórico divulgado, ele foi condenado a seis anos de prisão naquele processo, cumpriu parte da pena em regime fechado e obteve liberdade em julho de 2013.

Conhecido profissionalmente como “Elielson Hair”, o cabeleireiro se apresenta nas redes sociais como “cabeleireiro das estrelas” e afirma ter mais de 30 anos de experiência no setor de beleza.

As ocorrências anteriores integram seu histórico policial, mas não representam comprovação das suspeitas investigadas na operação desta quinta-feira.

BLOQUEIO DE VALORES — A Operação Fio reúne 26 ordens judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva, nove de busca e apreensão e 12 determinações de bloqueio de ativos financeiros.

As medidas são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e Mirassol D’Oeste, além de municípios do litoral sul de São Paulo.

De acordo com a Denarc, a investigação identificou indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada por alguns dos envolvidos. A polícia também apura a possível utilização de pessoas físicas e empresas para movimentar e ocultar recursos supostamente provenientes do tráfico.

A Justiça autorizou bloqueios com limites individualizados, que podem chegar a R$ 1,4 milhão para um dos investigados. O valor representa o teto autorizado para a medida, não necessariamente a quantia efetivamente localizada ou bloqueada.

A operação busca interromper as atividades do grupo investigado, preservar provas e impedir a dissipação de recursos que possam estar relacionados aos crimes.

A Polícia Civil continuará analisando os materiais apreendidos para esclarecer a participação de cada investigado e identificar outros possíveis envolvidos. A responsabilidade criminal de Elielson pelos fatos apurados nesta nova operação ainda depende do andamento da investigação e da apreciação judicial.

Por MARIA CLARA SILVA

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