A complexa disputa judicial pela posse de uma mansão de luxo avaliada em R$ 10 milhões, localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), ganhou novos capítulos de forte repercussão pública. O atacante Richarlison voltou a utilizar suas redes sociais para cobrar publicamente a devolução do imóvel ou o ressarcimento do montante investido, expondo o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O jogador afirma ter injetado uma fortuna na propriedade e perdido o direito ao bem sem reaver os valores.
A origem do conflito: Compra formal versus direito de posse
A controvérsia teve início em 2020, quando a empresa Sport 70, pertencente a Richarlison e ao seu então empresário Renato Velasco, realizou a compra registrada do imóvel paradisíaco. No entanto, a transação foi imediatamente contestada na Justiça pela empresa WT Administração, controlada pelo advogado Willer Tomaz.
O núcleo do processo girou em torno de uma diferenciação técnica da legislação brasileira:
- Propriedade: Defendida pela empresa do jogador com base na escritura e no registro formal em cartório.
- Posse: Reivindicada pelo grupo de Tomaz, que sustentou deter uma cessão histórica de direitos possessórios sobre a área litorânea datada de 1968.
A decisão final do STJ
Após tramitar por diversas instâncias, o imbróglio jurídico chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que encerrou o processo de forma definitiva. O tribunal negou o recurso da defesa de Richarlison e manteve a decisão favorável à holding de Willer Tomaz, validando os direitos possessórios anteriores do advogado.
Com o trânsito em julgado, o atleta perdeu a posse do casarão. Desde então, Richarlison alega publicamente que foi lesado na operação por ter feito o pagamento integral e ficado sem o reembolso da quantia milionária.
O papel do senador Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro virou alvo de cobranças diretas por parte do jogador, embora formalmente não integre o polo de réus ou autores da ação. Os advogados de Richarlison arrolaram o parlamentar exclusivamente como testemunha no decorrer do processo judicial.
A inclusão ocorreu porque Flávio havia visitado a propriedade em 2020 antes do fechamento do negócio e, posteriormente, retornou ao local acompanhado de Willer Tomaz, de quem é amigo pessoal próximo. O jogador e críticos apontam suposto lobby político e influência da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) à época para favorecer a transferência de direitos possessórios da área pública da União em favor do advogado. O senador nega qualquer tipo de irregularidade ou interferência no rito do Judiciário.
Reações nas redes sociais e o estopim recente
Recentemente, Richarlison reaqueceu o debate nas redes sociais ao ironizar os envolvidos. O estopim foi a divulgação de uma reportagem jornalística revelando que Willer Tomaz realizou vultosas movimentações financeiras em plataformas de apostas online (bets) e recorreu ao Judiciário paulista para reaver supostas perdas milionárias.
O atacante do Tottenham aproveitou os comentários da publicação para disparar: “Minha casa não quer devolver, né!!! Kkkkk”. Em outra postagem em que o senador pedia “justiça” em assuntos políticos, o atleta replicou de forma contundente: “Lutar pelo que é justo, né? Então devolve minha ilha!!!”, consolidando o caso como um dos maiores imbróglios midiáticos envolvendo futebol, política e direito imobiliário no país.




