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Conheça a história de Sandro, elefante levado a santuário no MT após viver por mais de 40 anos no Zoo de Sorocaba

Depois de mais de quatro décadas como um dos moradores mais conhecidos do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), o elefante Sandro, de 54 anos, deixou a cidade nesta quarta-feira (16) com destino ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT).

A transferência começou na tarde de quinta-feira (10), quando a caixa transportadora chegou ao parque. A estrutura foi posicionada na área externa na noite de sexta-feira (11) e Sandro entrou voluntariamente no local no sábado (12). Depois, a caixa foi içada e colocada em um caminhão prancha que faz o trajeto até o santuário.

A saída do elefante em uma viagem de mais de 1,6 mil quilômetros – e que vai durar dois dias e meio – encerra uma história que começou em 1982 e que fez de Sandro um dos animais mais conhecidos do zoológico de Sorocaba.

Elefante Sandro ainda novinho no zoológico de Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

Elefante Sandro ainda novinho no zoológico de Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

A chegada de Sandro a Sorocaba

Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro chegou ao Quinzinho de Barros em janeiro de 1982, após ser transferido de um circo. O elefante passou por um processo de adaptação até se acostumar ao novo ambiente. Com o passar dos anos, tornou-se uma das principais atrações do zoológico de Sorocaba.

Segundo o zoo, entre os cuidados de Sandro havia uma alimentação a base de capim, brotos macios e frutas. A espécie do elefante é da região da Índia. Considerado um idoso, já que a expectativa de vida de um elefante em cativeiro é de 60 anos, o animal é descrito pelos tratadores como carinhoso, comilão e brincalhão.

Uma das fases mais marcantes da história de Sandro em Sorocaba foi a convivência com a elefanta Haisa, vinda de outro zoológico. A relação entre eles foi acompanhada de perto por tratadores e especialistas, que destacavam o vínculo afetivo entre ambos.

Sandro e Haisa no zoo de Sorocaba (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

Sandro e Haisa no zoo de Sorocaba (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

Os dois viveram juntos por 20 anos no Quinzinho de Barros. No entanto, a convivência terminou em 2020, quando Haisa morreu. Após a morte da companheira, Sandro passou a viver sozinho no recinto, situação que se tornou um dos principais pontos de discussão sobre o futuro do animal.

Sandro, o “Trombadinha”

Antes de ganhar o nome de Sandro, o elefante era chamado de “Trombadinha”. Quando chegou em Sorocaba, Sandro era um elefante adolescente.

Na época, seu tratador era Lucílio Alves de Araújo, um dos primeiros humanos com quem o animal criou uma relação de amizade, ainda quando vivia no circo.

Lucílio trabalhava no circo Real Africano e conheceu Sandro em 1979, quando tinha 14 anos. “Ele se ‘engraçou’ comigo. O proprietário do circo me disse que eu seria o responsável por cuidar do Sandro, porque ele era muito brincalhão e não queria saber de trabalhar”, contou Lucílio em entrevista, em 2025. Confira a entrevista na íntegra.

“Se colocassem o Sandro no picadeiro, ele queria jogar cadeira, pisar em cadeira, mas sem machucar ninguém. Ele nunca machucou ninguém. Aí, ele ganhou o apelido de Trombadinha, porque, se alguém tentava chegar perto, ele empurrava mesmo, com a tromba”, revelou Lucílio.

“Ele não era viável porque ele não trabalhava em picadeiro, e o proprietário do circo vendeu ele para o circo Bismarck. Eu também fui para o circo Bismarck, fiquei com o Sandro até quando eles fizeram a permuta com alguns animais”, explicou.

Lucílio acompanhou o amigo elefante e, no início, a ideia era ficar somente até o animal se acostumar com o recinto e o ambiente do zoo. Ele cuidou de Sandro por oito meses pelo circo e três anos pelo zoológico.

Quando chegou no zoo, Sandro pesava “apenas” duas toneladas, sendo que a média de um elefante asiático adulto é o dobro deste peso. A dieta do animal é composta por 250 quilos de alimento, sendo 150 somente de capim. O cardápio também inclui uma variedade de frutas e sucos, sendo que o de beterraba é o favorito dele.

Placa no recinto de Sandro, no zoo de Sorocaba, informa sobre espécie do elefante — Foto: Mariana Campos/Prefeitura de Sorocaba

Disputa pelo futuro do elefante

Após a morte de Haisa, o Ministério Público (MP) recomendou que Sandro fosse transferido para o SEB, no Mato Grosso. A Prefeitura de Sorocaba negociou a possível transferência, mas o destino do animal passou a ser discutido judicialmente.

A partir de então, o caso envolveu diferentes decisões, recursos e avaliações sobre as condições em que Sandro vivia no zoológico e a viabilidade da transferência.

Em 2022, a prefeitura acatou a recomendação do MP e anunciou que realizaria a transferência do elefante. Porém, após protestos contra a mudança, a administração municipal recuou e criou uma comissão para decidir o destino do animal.

Em abril do mesmo ano, a Justiça de Sorocaba negou o pedido de liminar para a transferência imediata de Sandro para o santuário. O MP informou, na época, que o animal não apresentava sinais de maus-tratos, estava com boa saúde física e mental e exibia comportamentos típicos de sua faixa etária.

Além disso, o parecer técnico de um médico-veterinário e de uma bióloga indicou que não havia elementos que justificassem os riscos de um transporte de longa distância ou a exposição de um animal idoso a novas condições estruturais e de manejo às quais não estava habituado.

O caso voltou a avançar em 2025, quando uma nova perícia foi solicitada para avaliar as condições do recinto. O laudo apontou que a estrutura oferecida ao elefante era insuficiente para garantir sua qualidade de vida e destacou a diferença entre o espaço do zoológico e a área disponível no santuário.

Em abril daquele ano, a Justiça determinou a transferência de Sandro para o santuário em Mato Grosso e estabeleceu um prazo para o cumprimento da decisão. A prefeitura recorreu.

Justiça mantém transferência

Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou a transferência de Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil. Com a decisão, foram iniciados os procedimentos logísticos para o transporte até Mato Grosso.

A transferência exigiu um planejamento específico. Entre as etapas esteve o processo de adaptação à caixa de transporte, realizado antes do início do trajeto.

Adaptação para a viagem

A caixa de transporte chegou ao zoológico em setembro e foi instalada no recinto de Sandro. A estrutura permaneceu aberta para que o elefante pudesse entrar e sair livremente para se acostumar com o novo espaço. A caixa pesa aproximadamente 10 toneladas, tem 5 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura, além de contar com sistema de monitoramento de temperatura e janelas de ventilação.

No dia 12 de setembro, Sandro entrou voluntariamente na caixa pela primeira vez. A estrutura foi preparada especialmente para o transporte e é utilizada durante todo o trajeto. A previsão é que Sandro chegue a Mato Grosso nesta sexta-feira (18).

Após mais de 40 anos em Sorocaba, Sandro deixa o zoológico para começar uma nova fase no Santuário de Elefantes Brasil.

A transferência encerra uma história iniciada em 1982, quando o elefante chegou ao Quinzinho de Barros vindo de um circo. O animal viveu décadas no local, dividiu o recinto com Haisa e, após a morte da companheira, tornou-se o personagem central de uma disputa judicial sobre seu destino.

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