A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10) por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse” investiga irregularidades dos repasses de emendas parlamentares à produtora do longa.
Segundo relatório da Controladoria-Geral da União, que deu apoio à operação, há falhas encontradas nos recursos destinados à empresa pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), um dos alvos da ação, que somam R$ 2 milhões.
O órgão cita “insuficiência na comprovação da capacidade técnica e operacional” do Instituto Conhecer Brasil, ONG que recebeu duas emendas de Frias e é comandada pela produtora Karina Ferreira da Gama.
A investigação da PF aponta que os valores foram enviados sem a comprovação, por parte dos beneficiados, dos serviços contratados. Esse esquema de repasses seria comandado por agentes públicos e privados, incluindo Frias, que é produtor executivo do “Dark Horse”.
“Fragilidades relevantes dos planos de trabalho não foram sanadas pelas análises ministeriais antes da celebração das parcerias”, concluiu a CGU.
A Polícia Federal ainda apontou que levantamentos financeiros indicaram “movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”.
Essa suspeita levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a autorizar a operação de hoje. Ao todo, os agentes cumpriram 49 mandados de busca e apreensão contra 29 alvos no Ceará, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os investigados também estão proibidos de contato entre si e de saírem do Brasil. Armas de fogo de Frias foram apreendidas em endereço do parlamentar em Brasília. O ex-ministro tem posse, mas itens estão registrados em outro local, em São Paulo.
Ele e os demais alvos podem responder por crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Vale lembrar que há dois inquéritos sobre “Dark Horse” no Supremo: um sob relatoria de Dino, que analisa suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares enviado a entidades e produtoras envolvidas no filme; e outro sob guarda do ministro André Mendonça, que trata dos repasses de Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao longa-metragem, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
Por Ighor Nóbrega




