Um controlador de tráfego aéreo do Aeroporto Internacional de Phoenix (PHX), nos Estados Unidos, teve um desempenho excepcional ao perceber uma situação inusitada que poderia ter consequências catastróficas. Ele identificou e lidou com sabedoria ao comunicar aos pilotos de dois voos diferentes que eles operavam sob o mesmo indicador de chamada, ou seja, com identificações iguais, na mesma frequência de rádio.
De um lado havia o voo da American Airlines que partiu do Aeroporto Internacional Sky Harbor de Phoenix por volta das 23h58 de quinta-feira (13), identificado como AA2482, com destino ao aeroporto Chicago O’Hare, operado por um Boeing 737. Na direção oposta, porém, outro Boeing 737 da mesma companhia aérea, com o mesmo indicativo de chamada – AA2482 – seguia em direção ao Aeroporto Sky Harbor de Phoenix, vindo de Chicago O’Hare.
A situação exigiu uma coordenação cuidadosa, fora do padrão, pois tanto o voo de chegada quanto o de partida estavam sendo gerenciados na mesma frequência de controle de tráfego aéreo e com a mesma identificação. O perigo, é que seria fácil para os pilotos confundirem as instruções dadas pelo controlador, especialmente porque suas rotas exigiam que sobrevoassem uns aos outros apenas com separação vertical.
O controlador está sendo elogiado pela calma com que lidou com as duas aeronaves da American Airlines que se dirigiam uma para a outra com apenas alguns milhares de pés de separação vertical entre elas, como pode ser ouvido no link do FlightRadar24 abaixo, publicado em uma rede social.
O motivo pelo qual dois aviões com o mesmo indicativo de chamada estavam não apenas no ar juntos, mas também tão próximos um do outro, foi que o voo de Chicago partiu da cidade com quase duas horas de atraso na noite desta quinta-feira (13).
No Brasil as companhias usam indicativos diferentes para voos de ida e volta. Por exemplo, um voo [fictício] que sai do Rio de Janeiro para Manaus pode usar o indicativo RG204. E quando essa mesma aeronave opera de volta para o Rio de Janeiro, ela sai da capital amazonense com o indicativo RG205. Já nos Estados Unidos não é incomum que as companhias aéreas usem o mesmo indicativo de chamada tanto para o voo de ida quanto para o de volta, embora isso normalmente ocorra quando a mesma aeronave opera ambos os trechos, como o exemplo citado.

Presumivelmente, diz o site PYOK, dado que a American Airlines possui hubs tanto em Chicago O’Hare quanto em Phoenix Sky Harbor, em vez de atrasar os dois grupos de passageiros, a companhia aérea conseguiu encontrar uma aeronave e tripulação disponíveis para operar o trecho Phoenix-Chicago no horário de partida programado.
“Trabalho no controle de tráfego aéreo há 25 anos e nunca vi duas aeronaves praticamente se fundirem com o mesmo indicativo de chamada… isso é incrível!”, exclamou o controlador, que resolveu a situação da maneira mais rudimentar possível, simplesmente acrescentando as palavras “Na chegada” ou “Na partida” ao avião a que se referia.
Após ter controlado com sucesso a sobreposição das duas aeronaves, o controlador deixou claro que aquela não era, de forma alguma, uma situação normal. “Isso poderia ter sido desastroso”, disse o controlador aos pilotos.
Por Luiz Fara Monteiro




