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quinta-feira, agosto 13, 2026
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‘Desculpa por ter puxado esse cidadão pelas mãos’, diz Jayme sobre apoio a Mauro em 2018

Dias após a Operação Heritage colocar Mato Grosso em destaque nacional diante de um possível rombo de R$ 308 milhões ao erário, o senador Jayme Campos (União) detonou o ex-governador Mauro Mendes (União) e grupo aliado durante discurso no Senado. Ele afirmou que “é muito triste ver nosso estado estampado nas páginas policiais do país”. Ainda na tribuna, Jayme pediu desculpas aos mato-grossenses por ter apresentado Mauro, em 2018, “que foi governador do nosso Estado e renunciou para se candidatar a senador.

“Acreditava que era um homem de bom caráter e que atenderia à expectativa do povo mato-grossense. Um homem que vinha de duas derrotas, pois perdeu para prefeito de Cuiabá e depois perdeu para governador do Estado. Nós demos a oportunidade e, lamentavelmente, a este eleitor que confiou nele e que confiou no senador Jayme Campos, que o estava a puxar pela mão. Pedimos desculpas”, justificou.

O discurso de Jayme foi ainda mais inflamado pelo amargor de ter sido preterido pelo partido durante a convenção. O grupo escolheu se aliar ao Republicanos de Otaviano Pivetta em vez de definir seu nome para disputar o governo do Estado. O plano de coligação foi encabeçado por Mauro Mendes para emplacar seu sucessor na corrida pela reeleição. Uma semana depois, a operação da Polícia Federal bateu à porta de Mauro, do então vice de Pivetta, Fábio Garcia, do ex-secretário Mauro Carvalho, familiares e empresários ligados ao grupo.

A investigação federal mira suposto esquema liderado por Mauro que teria desviado R$ 308 milhões de valor devido à empresa Oi e que foi depositado em fundos de investimentos ligados aos investigados.

“Esse valor seria suficiente para implantar 4 mil UTIs, construir milhares de casas populares e escolas. Uma coisa precisa ficar clara, a lei deve valer para todos. Defendo uma investigação séria, profunda e célere. Se alguém meteu a mão no dinheiro público, deve responder pelos seus atos”, disparou o senador na tribuna.

Após expor a indignação diante do possível dano ao erário, Jayme Campos relembrou sua trajetória política e o papel essencial do político eleito, que é atender aos interesses do povo que o escolheu.

“Estamos aqui para servir ao povo. Digo isso com a tranquilidade de quem dedicou 40 anos da sua vida ao serviço público. Lealdade aos meus companheiros, mas, acima de tudo, aos meus eleitores”, destacou o político, que já foi prefeito e governador de Mato Grosso.

Mais adiante desabafou sobre a “puxada de tapete” sofrida dentro do partido que ajudou a fundar.

“Sou democrata e respeito a decisão. Tenho uma longa história no partido. Nunca precisei mudar de lado de acordo com a conveniência do momento. Sempre mantive minha palavra e minhas convicções. Cumprirei meu mandato de senador até 31 de dezembro de 2027. Minha relação com Mato Grosso nunca dependeu de eleição, convenção ou cargo. É uma relação construída ao longo da minha vida”, finalizou.

Operação Heritage

A Polícia Federal deflagrou a Operação Heritage para investigar suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, além de determinar medidas como bloqueio de bens no valor de até R$ 316 milhões, quebra de sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre investigados.

A investigação teve como ponto de partida um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia, envolvendo a restituição de valores de uma disputa tributária. Segundo a PF, há suspeitas de que a operação financeira tenha sido usada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões, por meio de fundos de investimento e empresas intermediárias.

A apuração aponta a possível utilização de uma estrutura de “fundos em cascata” para ocultar a origem, movimentação e destino dos recursos. Os fatos ainda estão em investigação e podem resultar na identificação de outros envolvidos e possíveis crimes.

Por Jessica Bachega

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