A direção nacional do PL selou um acordo para conter a crise interna em Mato Grosso e autorizou que filiados, parlamentares e prefeitos do estado não sejam obrigados a pedir votos para a deputada estadual Janaina Riva (MDB), pré-candidata ao Senado.
A decisão do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, ocorreu após reunião de emergência em Brasília nessa segunda-feira (3) com o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), o deputado federal José Medeiros (PL) e o empresário Odílio Balbinotti Filho, e afasta qualquer ameaça de processo disciplinar ou expulsão contra os refratários ao MDB.
A reunião foi o ápice de uma crise deflagrada após Abilio desafiar abertamente a direção do partido por conta da aliança firmada com o MDB. “Me libera, tolera, ou me expulsa. Com o PT e MDB eu não vou”, declarou.
O prefeito de Cuiabá reagiu à aliança majoritária costurada pelo senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo e sogro de Janaina, que aproximou a sigla bolsonarista de adversários locais históricos, como Eduardo Botelho em Cuiabá, Kalil Baracat em Várzea Grande, Thiago Silva em Rondonópolis e Léo Bortolin em Primavera do Leste. A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Costa, se filiou ao MDB após racha com Abilio.
Após o acerto em Brasília, a garantia de permanência sem sanções foi sacramentada por Abilio nas redes sociais, em uma publicação ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de José Medeiros.
“Ficamos no PL. Não vou apoiar o MDB! Nenhum candidato do MDB! Não subo no palanque onde o MDB estiver“, disse Abilio, deixando claro que vai pedir votos apenas para Flávio Bolsonaro, Medeiros e para sua esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), que é candidata a deputada estadual.

Por outro lado, o alinhamento com o MDB expõe uma fratura interna na legenda. Enquanto a ala encabeçada por Abilio e Medeiros comemora o aval para fazer campanha isolada, a ala governista do PL, alinhada a Wellington Fagundes e representada por nomes como a deputada federal Coronel Fernanda (PL), defende a composição majoritária.
Para esse grupo, a aliança com Janaina Riva e o MDB é estratégica para encorpar o tempo de rádio e TV, garantir musculatura política no interior e tentar consolidar o palanque conservador no Palácio Paiaguás.
Com a cartada de Valdemar Costa Neto, a coligação formal entre PL e MDB fica mantida na chapa majoritária de Wellington, mas o PL de Mato Grosso entra no período pré-eleitoral oficialmente rachado. De um lado, os defensores do acordo pragmático com os emedebistas, e do outro, os bolsonaristas ‘puro-sangue’, devidamente autorizados pela direção nacional a ignorar a candidata do MDB no palanque.
Por ANA JÁCOMO




