A derrota do senador Jayme Campos (União Brasil) na convenção estadual do partido produziu um efeito contrário ao esperado por muitos adversários. Em vez de perder protagonismo, o parlamentar tornou-se o principal alvo das articulações políticas em Mato Grosso e passou a ocupar a posição de maior ativo eleitoral disponível antes do encerramento das convenções partidárias.
Em poucos dias, lideranças de diferentes campos políticos fizeram movimentos para atrair o senador ou, ao menos, impedir que ele fortalecesse um adversário direto. O cenário evidencia que, embora tenha ficado fora da disputa pelo Governo do Estado, Jayme continua sendo considerado peça-chave para o desfecho da eleição.
O primeiro movimento veio do próprio grupo governista. O ex-governador Mauro Mendes revelou que tentou convencer Jayme a desistir da candidatura ao Palácio Paiaguás e disputar uma das vagas ao Senado em uma chapa exclusivamente formada pelo União Brasil. A proposta buscava preservar a unidade partidária e evitar o desgaste provocado pela convenção, mas foi rejeitada pelo senador, que manteve sua disposição de concorrer ao Governo até a votação interna da legenda.
Encerrada a disputa dentro do União Brasil, começaram as investidas de outros grupos.
Durante a convenção que oficializou a candidatura da médica Natasha Slhessarenko (PSD), o deputado estadual Wilson Santos fez um convite público para que Jayme se unisse ao bloco formado pelos partidos de centro-esquerda. Segundo ele, o senador teria sido preterido dentro do próprio partido e poderia contribuir para um projeto alternativo ao grupo governista.
Ao mesmo tempo, os bastidores da política estadual passaram a discutir uma terceira hipótese: a construção de uma alternativa envolvendo Jayme Campos, a presidente estadual do MDB, Janaína Riva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos). As conversas ganharam força paralelamente às negociações conduzidas pelo PL para atrair MDB e Podemos para a chapa do senador Wellington Fagundes, movimento que também busca impedir uma aproximação dessas siglas com Otaviano Pivetta.
O peso de um apoio – A disputa pelo apoio de Jayme não ocorre apenas em razão de sua votação pessoal. Ao longo de décadas de atuação política, o senador consolidou uma ampla rede de relações com prefeitos, vereadores, lideranças regionais e segmentos do setor produtivo, especialmente na Baixada Cuiabana e no interior do Estado.
Esse capital político faz com que qualquer decisão tomada por ele tenha potencial para influenciar alianças, redistribuir apoios e modificar estratégias de campanha.
A avaliação predominante entre dirigentes partidários é que seu posicionamento poderá fortalecer significativamente uma candidatura ao Governo ou, caso permaneça neutro, manter o cenário eleitoral fragmentado até o início oficial da campanha.
Eleição pode ser decidida no primeiro turno?
A principal dúvida que mobiliza as articulações políticas é justamente o destino desse capital eleitoral.
Caso Jayme declare apoio a um dos candidatos mais competitivos, lideranças avaliam que haverá maior possibilidade de concentração de votos em torno de um único projeto, aumentando as chances de definição da eleição ainda no primeiro turno.
Por outro lado, se optar pela neutralidade ou apoiar a construção de uma terceira via, a tendência é de maior pulverização do eleitorado, favorecendo um cenário mais competitivo e ampliando as possibilidades de realização de um segundo turno.
Com as convenções de MDB, Podemos e Republicanos ainda por ocorrer, o quadro permanece aberto. Até a homologação definitiva das candidaturas, Jayme Campos continuará sendo um dos nomes mais observados da política mato-grossense, não pela possibilidade de disputar o Governo, mas pela capacidade de influenciar quem chegará ao Palácio Paiaguás.
Por EDUARDO GOMES



