O bloco de sustentação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva largou na frente em Mato Grosso ao estruturar um palanque totalmente unificado e pacificado para as eleições de outubro. Em contraposição à coesão alcançada pela esquerda e centro-esquerda, o eleitorado conservador e de direita chega ao pleito fraturado em três chapas concorrentes, marcado por divergências internas, isolamento partidário e ameaças de traição interna.
A vantagem tática da frente progressista reflete uma organização precoce e sem ruídos públicos, contrastando com o ambiente de incertezas que impera na base aliada de Flávio Bolsonaro e do governador Otaviano Pivetta.
A chapa da unidade progressista
O palanque oficial de Lula em Mato Grosso será encabeçado pela médica Natasha Slhessarenko (PSD) na disputa ao governo do Estado, tendo como vice Diogo Botelho (PDT). Para as duas vagas ao Senado, a coligação definiu os nomes do atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), e do ex-governador Pedro Taques (PSB). A composição conseguiu reunir em um único arco eleitoral oito agremiações: PSD, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), PSB, PDT e a Federação PSOL/Rede Sustentabilidade.
Lideranças partidárias do grupo ouvidas apontam que o alinhamento exclusivo com o Palácio do Planalto garante à chapa não apenas a exclusividade do uso da imagem de Lula no estado, mas também a centralização do tempo de rádio e TV e o engajamento unificado das militâncias locais.
Direita dividida
Enquanto o campo progressista exibe alinhamento, as forças conservadoras do estado enfrentam um cenário de pulverização e fricção política em três frentes distintas.
Liderado pelo senador Wellington Fagundes (PL) ao governo e pelo deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado, o grupo busca ser o palanque oficial de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso.
No entanto, o PL enfrenta dificuldades para expandir sua coligação, contando até o momento apenas com negociações pontuais com o Novo, MDB, Podemos e a Federação PRD/Solidariedade. Além disso, o partido enfrenta uma onda de dissidências internas, com prefeitos da própria base anunciando apoio a adversários locais.
Por Pablo Rodrigo




