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Justiça bloqueia R$ 2,9 milhões em operação que atingiu prefeito e afastou secretário em Campo Verde

A Justiça determinou o bloqueio e o arresto de ativos financeiros que ultrapassam o valor de R$ 2,9 milhões durante a segunda fase da Operação Gomorra, que cumpre 26 ordens judiciais nas cidades de Cuiabá e Campo Verde.

Deflagrada na manhã de hoje (1º) pelo MPMT (Ministério Público de Mato Grosso), a operação incluiu mandados de busca e apreensão contra o prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil), e o afastamento imediato do cargo do secretário municipal de Obras, Rubens Anunciação Júnior.

A investigação é liderada pelo Naco Criminal (Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal) e foca em um esquema estruturado de fraudes em processos licitatórios e na execução de contratos celebrados com a administração pública.

O total de medidas autorizadas pelo Poder Judiciário abrangeu oito mandados de busca e apreensão, uma ordem de afastamento de sigilo fiscal, a quebra de sigilo telemático, quatro afastamentos cautelares de servidores públicos, além de 13 ordens de indisponibilidade de bens.

Durante o cumprimento das ordens, policiais apreenderam R$ 17 mil em dinheiro em espécie na residência de um dos envolvidos.

As diligências foram executadas de forma simultânea. Em Cuiabá, os alvos foram residências e sedes de empresas vinculadas ao grupo investigado.

Em Campo Verde, as equipes concentraram os trabalhos no prédio da Prefeitura Municipal e nas casas de dois servidores públicos. A operação recebeu o suporte operacional da Polícia Civil, da CGE (Controladoria-Geral do Estado) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Histórico das fraudes

Segundo o MPMT, as ações de hoje buscam colher novas evidências e apurar a extensão do envolvimento de particulares e servidores na organização. A primeira fase da Operação Gomorra, deflagrada em 2024, apurou irregularidades semelhantes ocorridas no município de Barão de Melgaço.

Naquela ocasião, exames do Naco Criminal nos contratos assinados de 2020 a 2024 com a empresa Centro América Frotas detectaram a adulteração de notas fiscais, uso ilícito de um “cartão coringa” para desvio de combustíveis e superfaturamento de valores.

Outro lado

Em entrevista ao portal local – Plantão da Notícia, o prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes, afirmou que o município já vinha acompanhando a situação de perto desde 2024. Segundo o gestor, o acompanhamento começou quando o MPMT solicitou que as prefeituras que tivessem aderido a uma ata de prestação de serviços da empresa investigada realizassem levantamentos internos.

O prefeito explicou que a Unidade de Controle Interno da Prefeitura de Campo Verde realizou os apontamentos necessários e encaminhou toda a documentação ao órgão ministerial, dando início a procedimentos administrativos para a apuração dos fatos. Lopes defendeu que a atual gestão adota uma política rígida de fiscalização interna, abrindo processos administrativos sempre que surgem denúncias, reclamações via ouvidoria ou indícios de possíveis irregularidades.

Sobre o afastamento do secretário de Obras e dos demais funcionários, o chefe do Executivo ressaltou que, em casos de investigação, os afastamentos de servidores ocorrem de forma preventiva como uma medida natural para garantir a transparência e o andamento das apurações.

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