A dona do pet shop Luxus Banho e Tosa, Graciely Lara da Costa, de 45 anos,e o marido dela, vão responder por fraude processual por terem retirado os equipamentos utilizados no atendimento ao cachorro Ted, que sofreu queimaduras graves durante um banho e tosa, em Cuiabá. A informação foi confirmada hoje (21) pelo delegado Guilherme Pompeo, titular da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
Segundo o delegado, a Polícia Civil recebeu o boletim de ocorrência na última sexta-feira (15) e iniciou imediatamente as diligências para localizar a empresária e intimá-la a prestar esclarecimentos.
Conforme Pompeo, a proprietária do estabelecimento chegou a responder mensagens da equipe policial, mas não compareceu à delegacia nas datas marcadas. Durante esse período, segundo a investigação, ela retirou as máquinas do local onde funcionava o pet shop, na casa dela, antes da realização da perícia técnica.
“Então apesar de responder nossas mensagens ela deixou de comparecer na primeira data nessa delegacia e assim nós realizamos diligências de campo. No local descobrimos que durante essas essas interlocuções com ela, ela optou por retirar as máquinas do local, ou seja, ela já sabia que havia uma investigação que nós estávamos tentando contactá-la, mas ao invés de comparecer à delegacia, ao invés de prestar esclarecimentos, ela optou infelizmente por retirar as máquinas do local, da residência dela, onde era prestado o serviço”, afirmou o delegado.
Ainda conforme a polícia, a remoção dos equipamentos foi registrada por imagens obtidas durante as diligências. Por isso, Graciely foi presa pelo crime de fraude processual, por supostamente alterar o estado do local e dificultar a produção de provas periciais.
A empresária chegou a ser presa pela Dema, mas foi liberada no mesmo dia após pagamento de fiança no valor de R$ 4,8 mil.
O delegado também afirmou que o marido e sócio da empresária deverá responder pelo mesmo crime, já que, segundo a investigação, ele teria ajudado a retirar os equipamentos do imóvel.
“Quem vai responder também é o marido dela. Ele ajudou a retirar os as máquinas de lá, ele vai responder pela fraude. E por ser também morar junto com ela e a empresa de pet shop estar no nome dele, ele ajuda no serviço então assim ele também será investigado. No caso ele é marido e sócio. Vai responder pela fraude e talvez pela maus tratos a depender da perícia”, concluiu.
A investigação segue em andamento e também apura crime de maus-tratos contra o animal. Segundo a polícia, os laudos periciais deverão apontar se houve falha técnica nos equipamentos ou negligência durante o atendimento.
Enquanto isso, Ted segue internado em estado crítico. O cachorro precisou passar por uma nova transfusão de sangue após apresentar piora nos exames em decorrência das queimaduras.
Conforme o relato, a responsável pelo serviço afirmou que o equipamento teria apresentado defeito e disse que estava medicando o animal por conta própria. A família afirma que Ted permaneceu o dia inteiro ferido sem que a situação fosse comunicada.
De acordo com a tutora, Maria Lucilene, o animal foi devolvido horas depois do atendimento enrolado em uma manta e com pomadas espalhadas pelo corpo. Inicialmente, devido aos pelos, não foi possível visualizar toda a extensão das queimaduras.
Assim que recebeu o animal, a família o encaminhou imediatamente para atendimento veterinário. Exames e laudos médicos apontaram queimaduras de segundo grau, comprometimento de aproximadamente 50% dos rins, risco de morte e necessidade de internação e tratamento intensivo.
Em áudio enviado à família, o médico-veterinário responsável pelo atendimento afirmou que o estado de saúde de Ted inspira preocupação.
Segundo o médico-veterinário responsável pelo acompanhamento, o quadro de saúde do animal é considerado “bem crítico e delicado”, com risco de agravamento a qualquer momento. Ted segue recebendo cuidados intensivos, curativos constantes e acompanhamento especializado devido ao comprometimento renal causado pelas lesões.
O veterinário explicou ainda que parte da pele necrosada começou a se desprender do corpo do cachorro, etapa necessária para a continuidade do tratamento.
Segundo o profissional, o cachorro apresenta áreas necrosadas na pele, está bastante debilitado e pode precisar de nova transfusão sanguínea.
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Por THIAGO NOVAES, EDUARDA FERNANDES



