A hipertensão arterial é considerada o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares , como o infarto do miocárdio e o derrame cerebral. Estas doenças, são as principais causas de morte em nosso país. A estimativa de hipertensão arterial na A hipertensão arterial atinge cerca de 27,9% a 30% da população adulta brasileira, segundo dados do Vigitel 2023 e Agência Brasil . A condição é mais prevalente em mulheres e aumenta com a idade e menor escolaridade. Algumas estimativas apontam que a doença afeta mais de 50 milhões de brasileiros, sendo um fator de risco crítico para AVC e infarto.
Entretanto, taxas mais elevadas foram encontradas em estudos realizados na cidade do Rio de Janeiro em 1990 e no Estado de São Paulo (25%).
A prevalência da hipertensão arterial aumenta progressivamente com a idade, sendo superior a 50% entre os idosos.
Até os 55 anos de idade, um maior percentual de homens têm hipertensão arterial . Entre 55 a 74 anos, o percentual de mulheres é discretamente maior e, acima dos 75 anos, 0 predomínio no sexo feminino significativamente superior.
Assim, cerca de 80% das mulheres, eventualmente, desenvolverão hipertensão arterial na fase da menopausa e a incidência de hipertensão arterial aumenta tanto com a idade quanto com o início da fase pós-menopausa. A hipertensão arterial contribui para cerca de 35% de todos os eventos cardiovasculares e cerca de 45% dos casos de infarto não-diagnosticados em mulheres, elevando o risco de doença coronariana em quatro vezes quando comparada a mulheres normotensas.
A presença da associação de fatores de risco à hipertensão arterial, muitas vezes na síndrome metabólica, como a dislipidemia (anormalidades do colesterol), resistência insulínica (ação inadequada do hormônio que permite a entrada do açúcar para dentro das células), intolerância à glicose e a obesidade abdominal, aumentam o potencial aterogênico ( formação de placas de gordura nas artérias) . Estes achados são considerados os principais mecanismos para aparecimento das doenças cardiovasculares em mulheres.
Assim, o tratamento anti-hipertensivo com medicamentos, concomitante às modificações nos hábitos de vida, tem demonstrado ser uma intervenção significativa para a prevenção de eventos cardiovasculares em mulheres hipertensas.
Existem várias medidas que as mulheres podem adotar para melhorar o controle da pressão arterial e reduzir os riscos associados. Uma dieta saudável, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, e com restrição de sódio, gorduras saturadas e colesterol, é especialmente recomendada. Inclusive, há uma dieta específica para pessoas hipertensas, conhecida como DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). Além disso, a prática regular de atividade física pode contribuir significativamente para o controle da pressão arterial.
*GIOVANA FORTUNATO é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.



