O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia que o governo federal vai elevar os percentuais obrigatórios de mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis comercializados no Brasil. Durante evento no Palácio do Planalto voltado ao setor de transporte, o presidente confirma que a mistura de etanol na gasolina subirá de 30% para 32% (E32), enquanto a presença de biodiesel no óleo diesel passará de 15% para 16% (B16). Segundo o chefe do Executivo, a medida deve ser oficializada ainda nesta semana.
A decisão faz parte de uma estratégia de fortalecimento da indústria nacional e de consolidação do Brasil como líder global em tecnologia de combustíveis renováveis.
O presidente ressalta que o país está aberto a realizar transferências de tecnologia para nações que desejam investir em matrizes energéticas limpas, sem a necessidade de gastos excessivos em pesquisa externa.
Impactos no setor produtivo e análise econômica
A notícia gera repercussão positiva imediata entre as lideranças do agronegócio e da indústria de biocombustíveis. Para o setor, o incremento gradual das misturas representa uma vitória na busca por menor dependência do mercado externo.
Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO), afirma que a declaração ocorre em um momento crucial para que o país reduza a importação de diesel, agregando valor a toda a cadeia produtiva, desde o campo até a usina.
Na visão de Juliana Rosa, o fortalecimento dos biocombustíveis funciona como um mecanismo de proteção para a economia brasileira. A análise da colunista indica que o aumento do biodiesel ajuda a blindar o setor de transportes e o consumidor final contra a volatilidade do mercado internacional, especialmente em períodos de crise e conflitos geopolíticos que afetam o preço do barril de petróleo e seus derivados.
O avanço para o patamar de 16% no biodiesel é visto como um passo intermediário. O setor produtivo já trabalha com a perspectiva de novos testes de qualidade para viabilizar, no futuro, uma mistura de até 25% (B25). Para os especialistas ouvidos pelo Jornal da Band, a medida anunciada por Lula coloca o Brasil na vanguarda da transição energética global.
A expectativa é que o decreto ou ato normativo com os novos percentuais seja publicado nos próximos dias, estabelecendo o cronograma de adaptação para as distribuidoras e postos de combustíveis em todo o território nacional.




