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Decisão histórica: BRF em Lucas do Rio Verde deve realocar grávidas expostas a ruído excessivo

Um acordo histórico homologado pela Justiça do Trabalho de Lucas do Rio Verde estabeleceu medidas rigorosas de proteção para as funcionárias gestantes do frigorífico BRF. A decisão, proferida pela juíza Priscila Nunes, da 2ª Vara do Trabalho, surge após uma investigação alarmante do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelar um padrão sistemático de riscos à saúde das colaboradoras.

Investigação aponta 144 casos de aborto

O processo, movido por meio de uma Ação Civil Pública (ACP), baseou-se em dados coletados entre 2019 e 2025. O levantamento do MPT expôs números chocantes:

  • 144 ocorrências de aborto ou ameaça de aborto (envolvendo 116 trabalhadoras);

  • 113 casos de parto prematuro ou pré-termo.

A investigação concluiu que a exposição sistemática a fatores de risco, especialmente o ruído excessivo, configurava um descaso com a saúde das gestantes na unidade de Lucas do Rio Verde.

Novas regras: Ruído e proteção imediata

Pelo acordo firmado na última quinta-feira (5), a BRF está obrigada a realizar a realocação imediata de todas as grávidas que trabalham em setores com ruído igual ou superior a 80 decibéis [80 dB(A)].

A transferência para áreas mais silenciosas deve ocorrer sob as seguintes condições:

  1. Garantia salarial: Sem redução de remuneração ou perda de benefícios;

  2. Acompanhamento médico: Implantação de um programa de saúde específico e diferenciado;

  3. Canal 24 horas: Criação de um canal de denúncias confidencial, gerido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) ou setor independente, para relatar situações de risco.

Multas e continuidade do processo

A magistrada destacou que a homologação foca na tutela de urgência, visando a proteção imediata da vida, sem encerrar o julgamento do mérito da causa. “A iniciativa contribui para dar rapidez à adoção de medidas de proteção”, afirmou a juíza Priscila Nunes.

Caso a empresa descumpra as cláusulas, as penalidades são severas:

  • Multa de R$ 50 mil por violação constatada;

  • Adicional de R$ 20 mil por cada trabalhadora prejudicada.

A BRF também deverá realizar a capacitação periódica de suas lideranças sobre as normas de proteção à maternidade e segurança no trabalho.

Por Gabriela Cordeiro

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