As eleições de 2026 em Mato Grosso começam a ganhar contornos mais definidos nos bastidores políticos. Embora o cenário ainda esteja em formação, lideranças regionais já se movimentam para consolidar bases, ampliar alianças e ocupar espaços estratégicos no tabuleiro eleitoral.
O desenho inicial aponta para uma disputa regionalizada, com polos de influência bem delimitados e forte peso das lideranças tradicionais.
Baixada Cuiabana
A região metropolitana de Cuiabá tende a manter influência do grupo ligado ao governador Mauro Mendes. Com máquina administrativa ativa e forte presença institucional, o campo governista parte com estrutura consolidada.
A capacidade de articulação política e o controle de agendas estratégicas podem garantir vantagem inicial nas articulações, especialmente entre prefeitos e vereadores da região.
Norte de Mato Grosso (Eixo do Agronegócio)
O Norte do estado desponta como território competitivo. Trata-se de uma região altamente vinculada ao agronegócio, com perfil empresarial e pragmático.
Nesse contexto, o vice-governador Otaviano Pivetta pode apresentar vantagem estratégica, principalmente pelo discurso alinhado ao setor produtivo e histórico de gestão municipal com viés técnico.
A disputa, no entanto, deve envolver múltiplos atores, já que o eleitorado local costuma valorizar resultados econômicos e protagonismo regional.
Araguaia
Historicamente, o Araguaia registra votações expressivas para o senador Wellington Fagundes, que mantém forte presença política na região.
O histórico eleitoral e a capilaridade construída ao longo dos mandatos fazem do parlamentar uma referência consolidada no eixo leste do estado, o que pode influenciar alianças proporcionais e majoritárias.
Várzea Grande
Segundo maior colégio eleitoral do estado, Várzea Grande permanece como reduto tradicional do senador Jayme Campos.
A força da família Campos no município ainda representa ativo eleitoral relevante, especialmente em disputas proporcionais e na formação de chapas majoritárias que busquem densidade na região metropolitana.
Campo Progressista (voto urbano)
No campo progressista, há expectativa de concentração de votos urbanos em torno de nomes como o da médica e empresária Natasha Slhessarenko.
A estratégia tende a dialogar com eleitorado de perfil mais urbano, segmentos ligados a pautas sociais e eleitores que buscam alternativa ao bloco governista tradicional.
O cenário em construção
O mapa provável de alianças revela um estado dividido por forças regionais consolidadas, mas ainda sujeito a rearranjos conforme as articulações nacionais avancem.
As eleições de 2026 em Mato Grosso devem ser marcadas por:
Disputa entre continuidade e renovação;
Forte peso do agronegócio no Norte;
Influência histórica de lideranças no Araguaia e em Várzea Grande;
Tentativa de reorganização do campo progressista nos centros urbanos.
Nos bastidores, a montagem das chapas proporcionais e a definição das alianças partidárias serão decisivas para consolidar esse mapa — ou redesenhá-lo completamente.
O jogo começou. E, como em toda eleição estadual, o voto regional pode ser o fiel da balança.
Por Cícero Henrique




