A solenidade de posse dos novos desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada na tarde de hoje (13), foi marcada por memórias pessoais e emoção. Sérgio Valério, promovido pelo critério de antiguidade, e Gabriela Carina Knaul de Albuquerque e Silva, que ascendeu ao Pleno por merecimento em vaga exclusiva para mulheres, trouxeram em seus discursos trajetórias distintas que agora compõem a cúpula do Judiciário estadual. (Assista a posse no final da matéria)
Visivelmente emocionado, Sérgio Valério interrompeu sua fala duas vezes pelo choro, especialmente ao resgatar a origem humilde. “Para um homem que quando criança vendia alface para ajudar em casa, tomar assento aqui hoje tem uma palavra que define meu sentimento: gratidão”, declarou o magistrado.
Ele fez questão de destacar que as dificuldades enfrentadas no início da carreira, em comarcas desestruturadas, forjaram sua visão sobre o sistema. “As dificuldades iniciais me fizeram mais consciente das deficiências do Judiciário no rincão mato-grossense”, afirmou, lembrando que chegou a comprar o próprio computador para trabalhar devido à precariedade das unidades.
TJMT

Sérgio Valério se emocionou ao recordar infância humilde durante posse no TJMT.
Valério, que é vegetariano há 17 anos e ferrenho defensor da natureza, encara a ascensão como o ápice de sua jornada, mesmo que curta. Aos 74 anos, ele terá apenas sete meses de atuação na Corte antes da aposentadoria compulsória, em julho.
“Suplico a Deus entendimento para agir com Justiça e prometo dar o melhor de mim sempre sob a soberania dele”, concluiu o desembargador sob aplausos.
A desembargadora Gabriela Knaul, cuja promoção consolidou a nova política de paridade de gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), utilizou seu tempo de tribuna para enfatizar que sua chegada ao cargo é um marco institucional.
“A presença de mulher não é concessão, é expressão da representatividade democrática”, pontuou. Ela relembrou uma conversa com sua mãe sobre o silêncio de mulheres vítimas de violência doméstica, destacando que “não me calar diante da injustiça seria um dever”.
TJMT

Gabriela Knaul toma posse como desembargadora e reafirma compromisso com o combate à injustiça.
Para ela, o papel do magistrado vai além da técnica, exigindo uma sensibilidade aguçada para a realidade social de quem busca o tribunal.
“A Justiça não pode ser indiferente ao sofrimento humano e nem hesitante diante da desigualdade. Julgar é um ato técnico, mas sobretudo um compromisso histórico com a dignidade das pessoas”, afirmou a nova desembargadora.
Em sua fala, ela também defendeu o rigor institucional no enfrentamento às facções criminosas e à violência, reforçando a premissa de que a liberdade do cidadão depende diretamente de um Judiciário independente.
Assista a íntegra da sessão de posse:
Por ANA JÁCOMO




