A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) revelaram a engrenagem financeira de uma facção criminosa que atua na região sul de Mato Grosso. As investigações da Operação Imperium identificaram a rápida ascensão patrimonial do núcleo comandado por G.R.S., conhecido como “Vovozona”, que responde como conselheiro da organização no Estado e permanece foragido da Justiça desde 2023.
Entre 2024 e 2025, o grupo movimentou milhões de reais, comprou imóveis rurais de alto padrão e passou a ostentar veículos importados. Somente entre março e abril de 2024, o líder da facção movimentou R$ 43 milhões com uso de identidade falsa. As transações apresentaram incompatibilidade total com qualquer renda formal declarada.
Facção cria empresas de fachada e usa menores para ocultar dinheiro
Os investigadores mapearam um esquema estruturado de lavagem de dinheiro. O grupo abriu contas bancárias com documentos falsos, criou empresas de fachada e utilizou “laranjas” para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Uma das empresas operou no nome da principal articuladora financeira da facção, presa no Paraná. A empresa não possuía sede física, mas registrou movimentações milionárias. Além disso, o grupo utilizou contas bancárias em nome dos filhos menores da investigada. Em apenas seis meses, essas contas registraram movimentações superiores a R$ 1,6 milhão.
Outros investigados, incluindo traficantes e integrantes da facção, realizaram transferências frequentes para alimentar o sistema financeiro paralelo do grupo. A polícia identificou um padrão organizado de circulação de recursos, com divisão clara de funções entre operadores financeiros e lideranças.
A Lei nº 9.613/1998 tipifica a lavagem de dinheiro no Brasil e prevê pena de até 10 anos de prisão, além de multa. Nos últimos anos, as forças de segurança intensificaram o bloqueio de bens e o rastreamento financeiro para atingir diretamente a base econômica das organizações criminosas.
Grupo compra fazendas, haras e carros de luxo
O núcleo investigado construiu um patrimônio milionário em dois anos. A polícia sequestrou:
- Uma fazenda em Conceição do Rio Verde (MG), avaliada em R$ 4 milhões;
- Um haras em Soledade de Minas (MG), estimado em R$ 2,1 milhões;
- Dez veículos, entre eles BMW, Porsche, Audi A3, VW Jetta, GM/S10 e Fiat Strada.
A esposa do líder da facção formalizou a compra das propriedades rurais em Minas Gerais. Integrantes do grupo utilizaram os veículos de luxo para transporte interno e demonstração pública de poder econômico.
Os investigadores afirmam que a ostentação integra a estratégia da facção. O grupo utiliza o patrimônio para consolidar influência, atrair novos membros e ampliar o domínio territorial.
Polícia prende braço direito no Rio de Janeiro
As equipes policiais prenderam o braço direito de “Vovozona” no Rio de Janeiro, em um bar e conveniência em frente à praia do Recreio. O investigado mantinha residência em Rondonópolis (MT) e no Complexo do Alemão (RJ), o que evidencia a atuação interestadual da organização.
Ele registrou ainda uma empresa em Lucas do Rio Verde (MT), mas não instalou qualquer estrutura física no endereço declarado. Durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva, os policiais apreenderam uma BMW e uma GM/S10 vinculadas ao esquema criminoso.
Estado mira poder econômico das facções
O delegado Marlon Luz destacou que a investigação expôs a sofisticação financeira da facção.
“A investigação mostra que, apesar da complexidade do esquema, o Estado avança no combate à lavagem de dinheiro e atinge diretamente a principal fonte de sustentação da facção: o poder econômico”, afirmou.
A Operação Imperium reforça a estratégia de enfraquecer o crime organizado por meio do bloqueio de ativos, sequestro de bens e desarticulação financeira.
Perguntas frequentes
Ele é apontado pela Polícia Civil como conselheiro de uma facção criminosa em Mato Grosso e está foragido da Justiça desde 2023.
Segundo as investigações, o líder movimentou R$ 43 milhões entre março e abril de 2024 usando identidade falsa.
A polícia sequestrou fazendas em Minas Gerais, um haras, 10 veículos de luxo e bloqueou contas usadas para lavar dinheiro.




