Seis integrantes de uma organização criminosa foram condenados, na noite dessa quarta-feira (11), pelo Tribunal do Júri da comarca de Barra do Garças (a 509 km de Cuiabá), em Mato Grosso, pelas mortes de João Vitor Menez Soares, de 22 anos, e da sua filha Zayra Menez Carvalho, de 2 anos, além da tentativa de homicídio contra Jady Brito Carvalho, também de 22 anos. As penas aplicadas aos réus somam cerca de 500 anos de reclusão.
O julgamento teve início às 8h do dia 10 de fevereiro e foi encerrado às 23h do dia 11, com pausa durante a primeira noite. Os réus receberam condenações por dois homicídios qualificados, uma tentativa de homicídio qualificada, lesão corporal, corrupção de menores e por integrarem organização criminosa.
As penas foram fixadas da seguinte forma:
– 75 anos, 3 meses e 7 dias de reclusão para Kesley Junio Pinheiro Chapadense;
– 95 anos, 3 meses e 7 dias para Nairo Natan de Souza Queiroz;
– 92 anos, 8 meses e 25 dias para Fabrício Ferreira Rocha;
– 89 anos, 7 meses e 26 dias para Kaique Enzo Ramos Barbosa;
– 81 anos, 11 meses e 26 dias para Igor Barbosa dos Santos;
– e 42 anos de prisão para Paolla Bastos Neiva.
O crime ocorreu em 9 de fevereiro de 2024 e ganhou ampla repercussão, sobretudo pela morte da criança, que dormia ao lado dos pais no momento do ataque. João Vitor morreu ainda no local. Zayra chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A mãe também foi atingida, porém sobreviveu após receber atendimento médico. A brutalidade do caso gerou forte comoção social e inúmeros pedidos por justiça.
Desde os primeiros momentos após o crime, o Ministério Público de Mato Grosso atuou de forma integrada com as instituições de segurança pública com o objetivo de responsabilizar todos os envolvidos. A investigação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Barra do Garças.
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Barra do Garças, força-tarefa integrada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo, prestou apoio às diligências investigativas, atuando no cumprimento de ordens judiciais e fornecendo suporte técnico na produção de elementos que reforçaram a robustez das provas reunidas. O trabalho conjunto contribuiu de maneira decisiva para o avanço das investigações e para a formação de um conjunto probatório sólido.
Durante a fase investigativa, a Polícia Civil deflagrou a Operação Zayra, cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão em Aragarças (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ), onde foi localizado o mandante do crime. As provas colhidas demonstraram que João Vitor teve a morte “decretada” após deixar uma organização criminosa em Goiás e se mudar para Barra do Garças, onde estaria estruturando o próprio esquema ilícito.
Para o Ministério Público, a sentença assegura a correta aplicação da lei e reafirma a atuação firme do sistema de justiça no enfrentamento à criminalidade organizada. Além de responsabilizar os autores do crime, a decisão reforça o compromisso permanente do Ministério Público e das forças de segurança com a proteção da ordem pública e envia uma mensagem clara de que crimes dessa natureza serão combatidos com rigor na região. A condenação também simboliza o respeito à memória da pequena Zayra, cuja morte prematura comoveu toda a sociedade.




