As recentes declarações do piloto Mauro Mattosinhos, ex-funcionário da empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), provocam repercussão nos bastidores de Brasília e nas investigações sobre o crime organizado. Em novos vídeos divulgados, Mattosinhos detalha itinerários e passageiros de voos que, segundo ele, serviam como elo entre grandes empresários, políticos e facções criminosas.
Entre as revelações, o piloto afirma ter conduzido uma aeronave que transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O voo teria partido de Brasília com destino a um resort na região de Ourinhos.
Além disso, Mattosinhos alega que, sob ordens de seu então superior na TAP, Epaminondas Chenu, entregou uma sacola de papel contendo dinheiro em espécie que teria como destino final o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira. Os valores eram referidos internamente de forma irônica como “cargas perigosas”.
Alvos de operação da PF e negociações de delação
De acordo com o depoimento de Mattosinhos, os proprietários da aeronave que ele pilotava são Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Mourad, o “Primo”. Ambos são alvos da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, e estão foragidos desde outubro de 2024. O piloto afirma ainda ter transportado a dupla para um encontro com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre.
Atualmente, os dois foragidos negociam acordos de delação premiada. Enquanto as tratativas na esfera federal com a Procuradoria-Geral da República não avançaram, as negociações com o Ministério Público de São Paulo prosseguem. O foco das delações estaduais envolve supostos pagamentos de propinas a autoridades que podem somar R$ 400 milhões.
Citados e falta de inquérito federal
O piloto também vinculou o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ao caso, afirmando que quatro jatinhos utilizados pelo crime organizado e por políticos pertenceriam ao dirigente partidário. Rueda classificou as acusações como “ilações sem fundamento”.
Apesar das revelações, que incluem depoimentos prestados à Polícia Federal em agosto do ano passado, os agentes federais informaram que não encontraram materialidade nas declarações de Mattosinhos até o momento.
Em função disso, nenhum inquérito oficial foi aberto sobre o assunto na esfera federal. Procurados pela reportagem, os senadores Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, assim como o ministro Dias Toffoli, não responderam aos questionamentos.
Por Sandro Barboza



