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Delegada denuncia intimidação após expor caso de investigador que estuprou detenta em Sorriso

A delegada de Polícia Civil Jannira Laranjeira, que atua no enfrentamento à violência contra a mulher em Cuiabá, denunciou ter recebido mensagens privadas de intimidação após compartilhar, em suas redes sociais, uma notícia sobre a prisão preventiva do investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, acusado de estuprar uma detenta dentro da Delegacia de Sorriso (a 398 km de Cuiabá), em Mato Grorro. O relato foi feito pela própria delegada em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram hoje (02).

Segundo Jannira, as mensagens teriam caráter intimidatório e tentavam desqualificar seu posicionamento público, transformando a defesa da investigação e da responsabilização criminal em ataques pessoais. No vídeo, ela afirma que não atacou colegas nem fez acusações individuais, mas se posicionou como mulher, cidadã e profissional que atua há anos no enfrentamento à violência contra a mulher.

Trecho das mensagens recebidas dizia: “Aqui é …. de Sorriso. Dra, eu acho válido que a colega seja candidata, mas acho desprezível a forma que você se referiu a mim e aos colegas de Sorriso. Deixa eu te falar uma coisa: a eleição passa, mas a ofensa e o desaforo fica. Nós seremos inimigos pro resto da vida. Você deve desculpas para Dr….”

A delegada disse que não aceita ameaças veladas nem tentativas de silenciamento e criticou o que classificou como confusão entre corporativismo e justiça. “Defender a justiça não é ofensa. Defender a vítima não é traição. O que eu não aceito é ser intimidada por me posicionar”, declarou.

Ainda no vídeo, Jannira reforçou que escolheu a carreira na segurança pública para defender pessoas e não para proteger crimes.

“Quando uma mulher, ela é violentada dentro de uma instituição de segurança, o estado precisa responder com rigor e quando alguém tenta calar quem defende isso, nós temos que falar mais alto. Se preciso for, gritar. Meu compromisso é com a verdade, com a vítima, com a justiça. Quem se sente ofendido com isso, talvez esteja do lado errado da história.”

O caso citado por Jannira envolve o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, preso preventivamente após ser acusado de estuprar uma mulher custodiada na Delegacia de Sorriso. A prisão foi decretada após exame pericial apontar compatibilidade de DNA. O investigador passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida. O caso tramita em sigilo.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso, que também é apurado na esfera administrativa.

Por EDUARDA FERNANDES

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