Uma mudança feita pelo vereador de Cuiabá, Chico 2000, na lei municipal que institui a “Corrida do Legislativo Cuiabano”, enquanto era presidente da Câmara Municipal de Vereadores, chamou a atenção da Polícia Civil e passou a ser peça central das investigações da Operação Gorjeta, que apura esquema de desvio de emendas parlamentares.
A operação deflagrada na terça-feira (27) resultou no afastamento do vereador Chico 2000 e dois servidores da Câmara.
O relatório da Polícia Civil aponta que pela lei criada em 2018, a corrida previa apenas um “apoio financeiro” genérico do Legislativo, mas em 2023, Chico apresentou projeto alterando esse dispositivo. A medida tramitou de forma acelerada.
Sancionada pelo ex-prefeito Emanuel Pinheiro, a lei passou a prever que o evento poderia ser realizado “com apoio financeiro do Legislativo, por meio de emendas parlamentares, pessoas físicas, empresas e entidades”. Essa alteração deu o respaldo legal para o repasse de emendas para a realização das corridas.
A Policia Civil observou que logo depois dessa mudança iniciaram os repasses de emendas ao Instituto Brasil Central (Ibrace), alvo da investigação, para a realização das corridas.
Entre 22 de novembro de 2022 e 09 de abril de 2025 o Ibrace recebeu R$ 5.489.787,00 (cinco milhões, quatrocentos e oitenta e nove mil, setecentos e oitenta e sete reais) do município de Cuiabá. Desse montante, R$ 3.650.000,00 (três milhões, seiscentos e cinquenta mil reais) foram recebidos por intermédio de emendas parlamentares impositivas destinadas pelo vereador Chico 2000, o que representa 66% do montante recebido.
O fato do arranjo jurídico ter sido feito por Chico, sendo ele o principal ordenador de emendas ao Ibrace, e com estreita ligação com o empresário João Nery Chiroli, levou a Polícia Civil a pedir a prisão preventiva do vereador, mas a medida foi negada pela Justiça.
A Polícia Civil também pediu a prisão de Chiroli, o que também foi negado. As investigações apontam que as emendas eram destinadas por Chico ao Ibrace, que repassava a maior parte dos valores para a empresa Sem Limite, de propriedade de João Nery Chiroli.
O relatório policial indica que a empresa de Chiroli era a real organizadora das corridas e indica que o instituto pode ter sido criado com a finalidade de obter emendas parlamentares.
Por MÁRCIA MATOS




