Karla Dutra, vítima de uma tentativa de feminicídio praticada pelo ex-companheiro, o ex-candidato a vereador e pedagogo Cleyton Reis Divino, afirmou que vive com medo constante de ser assassinada caso o agressor seja colocado em liberdade. O crime ocorreu na manhã de sábado (25), no distrito de Pingo D’Água, zona rural de Querência (a 755 km de Cuiabá), em Mato Grosso.
Em entrevista, Karla disse ter convicção de que corre risco real de sofrer uma nova tentativa de feminicídio. “Ele falou que vai me matar e eu tenho certeza que ele vai me matar, porque infelizmente não tem lei nesse país. A mulher sofre por causa disso, acontece demais”, afirmou. Segundo ela, o medo chegou a fazê-la hesitar em registrar a denúncia, mas a família insistiu para que procurasse a polícia.
A vítima relatou que a violência no relacionamento começou de forma psicológica e se agravou com o passar do tempo. “Antes ele não tinha me agredido fisicamente, só psicologicamente, mas eu nunca denunciei. Ele me torturava psicologicamente”, contou.
Conforme o relato, o agressor fazia ameaças constantes, inclusive de suicídio, e dizia que não aceitaria vê-la com outra pessoa. “Ele falava que ia se matar, que sem mim não conseguia viver, que não tinha sentido, se me visse com outra pessoa, ele não respondia por ele, que me mataria”, disse.
No dia da agressão física, Karla afirmou que foi surpreendida pelo ex-companheiro dentro de casa. “Eu cheguei em casa e ele me agarrou pelo braço, me jogou no sofá e começou a falar que ia ficar na minha casa, que eu tinha que aceitar ele. Que a única opção seria eu aceitar ou sair dali dentro de um caixão”, relatou.
A vítima reforçou o temor de novas agressões caso ele deixe a prisão. “Se eu denunciasse a violência que ela tava fazendo comigo no momento, eu ia pro caixão e ele ia pra cadeia, porque ele não ia ficar preso por muito tempo e, quando saísse, ele ia me matar”, afirmou.
Ela também demonstrou preocupação com a possibilidade de o agressor responder ao processo em liberdade, por não possuir antecedentes criminais. “Eu estou desesperada. Ele é réu primário, não tem passagem, paga de bom moço pra sociedade, manipula as pessoas. Ele vai sair logo”, desabafou.
O crime ocorreu na frente do filho do casal, de apenas 2 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além do medo pela própria vida, Karla disse temer pela segurança do filho. “Minha mãe quer que eu vá embora, mas ele vai me achar. Não existe ir embora. Eu só penso no meu filho, ele precisa muito de mim. Se ele não conseguir me matar, pode machucar a coisa que eu mais amo”, declarou.
Ela ainda revelou que, após as agressões, familiares do agressor entraram em contato pedindo que ela retirasse a denúncia. Segundo a vítima, ela só está viva graças à intervenção de uma vizinha. “Eu estou viva por Deus e por aquela senhora que foi lá em casa. Se não fosse ela, eu estaria morta. E meu filho estaria com quem?”, questionou.
Ao final, a mulher fez um apelo: “Eu não quero ser a próxima reportagem da mulher que foi agredida pelo ex-marido e depois foi assassinada”, concluiu.
O caso
Clayton Reis Divino, de 47 anos, foi preso após tentar matar a ex-companheira na manhã de sábado (25), no distrito de Pingo D’Água, em Querência. A agressão ocorreu dentro da casa da vítima, na frente do filho do casal, de apenas 2 anos, e foi registrada por câmeras de segurança.
Segundo a polícia, o homem, que estava separado da vítima havia cerca de seis meses, entrou na residência de forma agressiva, a agrediu com socos e tentou estrangulá-la, além de ameaçá-la de morte caso não reatasse o relacionamento. A violência só foi interrompida após a intervenção de uma vizinha, que conseguiu afastar o agressor.
A vítima sofreu lesões no rosto, pescoço e braços e solicitou medidas protetivas de urgência. O agressor foi localizado e preso pela Polícia Militar, sendo autuado por crimes previstos na Lei Maria da Penha, incluindo lesão corporal, violência psicológica e ameaça.
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Por THIAGO NOVAES



