Lucas Paquetá é o sonho do Flamengo na atual janela de transferências. A negociação, no entanto, não é considerada fácil, muito por conta do dono do West Ham: David Sullivan, torcedor do clube e resiste em negociar o meia. O maior acionista dos Hammers — com 38,8% —, que possui uma fortuna com origem na indústria pornográfica britânica, é quem toma as decisões em Londres.
Sullivan fez dinheiro muito cedo. Aos 21 anos, ainda nos anos 1970, construiu um império a partir da venda de fotos sensuais, revistas adultas e filmes eróticos de baixo orçamento. Ao lado do sócio David Gold, passou a controlar boa parte do mercado de publicações do segmento no Reino Unido, se consolidando como um dos maiores nomes do entretenimento adulto do país.
Na década seguinte, ele ampliou sua atuação ao adquirir os jornais Sunday Sport e Daily Sport, veículos de apelo sensacionalista e forte conteúdo sexual, dos quais foi proprietário até 2007. A entrada no futebol veio em 1993, quando Sullivan e os irmãos Gold compraram o Birmingham City, da Inglaterra.
Em 2009, Sullivan vendeu sua participação, deixando o Birmingham na primeira divisão e em menos de um ano, adquiriu 50% do West Ham. Atualmente, o empresário é o principal acionista, com 38,8% das ações. Desde então, o cartola passou a ser figura central nas decisões do clube londrino — a venda de Paquetá ao Flamengo é um exemplo.
Sua administração, no entanto, é recheada de polêmicas. No ano passado, Sullivan nomeou como diretora do clube sua então esposa, Emma Benton-Hughes, que atuou como atriz e diretora de filmes pornôs. Segundo a imprensa inglesa, o casal se conheceu na indústria do entretenimento adulto.
É esse personagem, moldado por dinheiro do pornô e decisões duras, que o Flamengo terá de convencer caso queira avançar por Lucas Paquetá. A diretoria do time rubro-negro marcou a data da reunião com representantes do West Ham para tentar sacramentar a compra do cria do Ninho para a próxima sexta-feira.
A intenção do Flamengo é esticar a corda até pouco mais de 40 milhões de euros, cerca de R$ 250 milhões, depois de o clube inglês recusar uma investida de 35 milhões de euros (R$ 219 milhões).
A etiqueta inicial colocada pelos europeus é de 50 milhões de libras (cerca de R$ 361 milhões na cotação atual), um valor que o Flamengo entende que não será necessário chegar.



