O Brasil vai enviar 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde à Venezuela para apoiar a população afetada pela destruição do maior centro de distribuição de remédios do país vizinho, atingido por um ataque bélico no último sábado (03). A primeira remessa, com 40 toneladas, está prevista para sair na manhã desta sexta-feira (9).
A ação é coordenada pelo Ministério da Saúde e tem como foco garantir a continuidade do tratamento de cerca de 16 mil pacientes venezuelanos que dependem de hemodiálise. Sem os insumos, eles correm risco de morte.
Nesta quinta-feira (8), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enviou uma carta à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez, informando oficialmente o envio das doações e reforçando o apoio do governo brasileiro.
Segundo Padilha, a ajuda humanitária não compromete o atendimento no Brasil. “Essa doação não afeta a estrutura e a assistência dos cerca de 170 mil pacientes que realizam diálise atualmente no Sistema Único de Saúde. Temos estoques seguros no país e podemos ser solidários com o país vizinho”, garantiu o ministro.
Ele também ressaltou que, durante a pandemia da Covid-19, a Venezuela forneceu oxigênio ao Brasil em um momento crítico. “Não podemos esquecer que a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos”, disse.
O que será enviado
Os insumos foram reunidos a partir de doações de hospitais universitários e filantrópicos de várias regiões do país. O material faz parte de um conjunto considerado estratégico e essencial para o atendimento de pacientes em tratamento contínuo.
Entre os itens estão medicamentos de uso regular, filtros, linhas arterial e venosa, cateteres e soluções utilizadas em sessões de hemodiálise. As 100 toneladas ficarão armazenadas no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos do Ministério da Saúde, em Guarulhos (SP).
A primeira carga será transportada por um avião venezuelano. Novos envios estão previstos para ocorrer ao longo da próxima semana, de acordo com a demanda e a capacidade logística.
Por Joice Gonçalves




