25.9 C
Mato Grosso
sábado, março 14, 2026
spot_img
HomeNacionalMulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 são as que mais...

Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 são as que mais morrem por aborto no Brasil, diz Unicamp

Um artigo da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, publicado na revista inglesa Woman&Health, revelou que as mulheres que mais morrem em decorrência de aborto no Brasil são pretas, pardas, indígenas, com mais de 40 anos e residentes na região Norte.

O artigo utilizou dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Mortalidade Materna e do Sistema de Informação de Nascidos Vivos, entre 2012 e 2022. No período analisado, foram registrados 19.535 casos de morte materna, dos quais 663 estavam relacionados ao aborto.

O estudo destaca que, embora represente somente 3,39% das mortes maternas, essas ocorrências são evitáveis e configuram um problema crítico de saúde pública.

“O que chamou atenção foi a completa falta de melhora nesse período. O Brasil, nesse período, passou por centenas de coisas. Governos diferentes, situação econômica diferente, mas nesse período não houve melhora [nas mortes por aborto]”, diz José Paulo Guida, professor do Departamento de Tocoginecologia da Unicamp e orientador do artigo.

Recorte etário, racial e local

O estudo calculou a Razão de Mortalidade Materna (RMM) e encontrou diferenças significativas por idade e raça. Mulheres entre 40 e 49 anos registraram 5,95 mortes por 100 mil nascidos vivos, taxa três vezes maior que a do grupo de referência, de 20 a 29 anos.

🔎 A RMM indica quantas mulheres morrem, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, por causas relacionadas à gravidez, parto ou pós-parto (até 42 dias depois). Esse indicador mostra a qualidade da assistência à saúde da mulher: quanto maior for a taxa, pior é o atendimento oferecido.

“Do ponto de vista etário, o que a gente vai ver é que são mulheres que têm uma condição prévia de saúde. Então, aquela mulher que pode já ter diabete, hipertensão ou alguma outra doença”, detalha Guida.

Entre mulheres pretas, pardas e indígenas, a mortalidade está ligada ao acesso precário aos serviços de saúde. Mulheres indígenas apresentaram RMM de 6,32 por 100 mil, enquanto mulheres pretas registraram 3,99. Metade das mortes ocorreu entre mulheres pardas.

Noticias Relacionadas
- Advertisment -
Google search engine

Mais lidas