Eleita com a promessa de reorganizar os serviços básicos e enfrentar a crise histórica no abastecimento de água, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), encerra 2025 sob forte pressão popular. Um ano após o início do mandato, moradores seguem convivendo com torneiras secas, lixeiras abarrotadas e denúncias recorrentes de falhas na saúde pública, cenário que reforça a avaliação de que as principais promessas de campanha não saíram do papel.
A falta de água, principal bandeira eleitoral da prefeita, permaneceu como o problema mais sensível ao longo de todo o ano. Em diferentes bairros, moradores relataram interrupções frequentes no abastecimento, baixa pressão na rede e longos períodos sem fornecimento. Mesmo após o tema ser tratado pela gestão como prioridade absoluta, a rotina da população pouco mudou. A administração avançou em etapas administrativas, como estudos para concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE), mas, na prática, a cidade termina 2025 com famílias ainda dependentes de caminhões-pipa e soluções improvisadas para atividades básicas do dia a dia. Falta d’água piora e prefeita Flávia Moretti decreta calamidade em Várzea Grande
Paralelamente à crise hídrica, a coleta de lixo e a limpeza urbana também passaram a simbolizar o desgaste da gestão. Em vários pontos da cidade, moradores denunciaram acúmulo de resíduos, lixeiras transbordando e atrasos na coleta regular. A situação gerou reclamações sobre mau cheiro, proliferação de insetos e riscos à saúde, ampliando a sensação de abandono nos bairros e reforçando críticas sobre a dificuldade da Prefeitura em manter serviços considerados essenciais. Lixo transborda em bairros de VG, e Prefeitura prevê normalização nesta semana
Na saúde pública, as reclamações se intensificaram ao longo de 2025. Denúncias de demora no atendimento, falta de medicamentos e carência de profissionais da saúde tornaram-se frequentes em unidades básicas e prontos atendimentos. Usuários relataram longas filas, consultas remarcadas e dificuldades para acesso a exames e tratamentos. Embora a gestão tenha anunciado reformas pontuais e medidas administrativas, os relatos persistentes indicam que os problemas estruturais do sistema municipal seguem sem solução efetiva. Enquanto ruas e saúde colapsam, prefeita de VG entrega banheiro público
Apesar do cenário de críticas, a gestão apresentou algumas entregas pontuais. Em dezembro, a Prefeitura inaugurou duas creches municipais, ampliando a oferta de vagas na educação infantil. As unidades foram apresentadas como avanço na área educacional e resposta a uma demanda histórica de famílias por atendimento na primeira infância. Ainda assim, as entregas não foram suficientes para alterar a avaliação negativa predominante sobre os serviços básicos. Novo CMEI no Nova Esperança atenderá 240 crianças
Durante a campanha eleitoral, Flávia Moretti apresentou um Plano de Governo Sistêmico Interdisciplinar, que defendia uma gestão integrada, com ações coordenadas entre saneamento, saúde, mobilidade urbana e políticas sociais. O discurso apontava que a reorganização administrativa permitiria destravar investimentos e melhorar os serviços públicos. No entanto, ao longo do primeiro ano de mandato, grande parte dessas diretrizes permaneceu no campo do planejamento, sem reflexos diretos no cotidiano da população.
No plano político-administrativo, a prefeita também enfrentou resistência ao tentar ampliar a estrutura da máquina pública. Em outubro, enviou à Câmara Municipal de Várzea Grande o Projeto de Lei Complementar nº 36/2025, que reformulava a Secretaria Municipal de Assistência Social e criava uma Secretaria Adjunta, com previsão de 35 novos cargos comissionados. A proposta elevaria a folha mensal de R$ 188.388,00 para R$ 415.664,00, aumento superior a 110%. O projeto não avançou e ampliou o desgaste entre Executivo e Legislativo. Prefeita de VG dobra folha da Assistência Social para R$ 415 mil e amplia 35 cargos
O embate se intensificou quando vereadores passaram a exigir o desmembramento de matérias, defendendo que apenas o reajuste salarial dos servidores efetivos fosse votado, sem vinculação com criação de cargos. O impasse ocorreu em meio a apontamentos do Tribunal de Contas do Estado, que identificou falhas técnicas em propostas da Prefeitura, como ausência de memória de cálculo e problemas na estimativa de impacto financeiro. Câmara de VG quer votar reajuste de servidores; fusão de Secretarias deve ficar para 2026
No campo político, o desgaste aumentou com a abertura de uma Comissão Processante contra a prefeita. A comissão apura suposta infração político-administrativa relacionada ao uso do slogan institucional “Transparência, Trabalho e Progresso” em uniformes escolares da rede municipal. A investigação ampliou a pressão sobre a gestão e passou a integrar o debate público sobre legalidade, prioridades administrativas e responsabilidade no uso da comunicação institucional. Flávia Moretti diz que CP é “cunho político” para “ganhar no tapetão” a Prefeitura de VG
Ao fim de 2025, a gestão Flávia Moretti chega ao encerramento do primeiro ano marcada por cobranças intensas e frustração popular. A cidade termina o ano com moradores sem água nas torneiras, lixo acumulado nas ruas e um sistema de saúde alvo de denúncias recorrentes, enquanto entregas pontuais, como as duas creches inauguradas em dezembro, não foram suficientes para compensar a ausência de soluções estruturais nos serviços básicos.
Por Gislaine Morais




